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TJTO dispara phishing por SMTP oficial com link .gov.br em PDF limpo

TJTO dispara phishing por SMTP oficial com link .gov.br em PDF limpo
Malware

TJTO dispara phishing por SMTP oficial com link .gov.br em PDF limpo

E-mail passou em SPF e DMARC porque saiu de um servidor real do tribunal.

Resumo rápido

Em 02/06/2026, a LC SEC detectou uma campanha de phishing brasileira que usou o servidor oficial do TJTO para disparar mensagens maliciosas. A mensagem passou em SPF e DMARC porque não havia falsificação — havia abuso de infraestrutura real. O anexo era um PDF sem código malicioso, com um único link apontando para outro servidor .gov.br comprometido, usado como redirecionador.

Neste artigo você vai aprender:

  • Por que um e-mail com autenticação válida ainda pode ser perigoso.
  • Como o PDF foi usado para conduzir a vítima ao próximo estágio do ataque.
  • Quais indicadores devem ser monitorados pelas equipes de TI.
  • Como responder sem bloquear mensagens legítimas do tribunal.
  • Quais ações tomar se alguém clicou no link.

Servidor comprometido, não remetente falsificado

Em 02/06/2026, a LC SEC identificou uma campanha de phishing que usou o servidor oficial do TJTO — smtp2.tjto.jus.br, IP 177.0.107.28 — para entregar mensagens maliciosas. A checagem de autenticidade passou em SPF e DMARC porque o e-mail não era uma falsificação: saiu de uma infraestrutura governamental real que havia sido comprometida.

Isso muda completamente o perfil de risco. Não se trata de um atacante imitando o tribunal. O servidor do TJTO estava sendo abusado ativamente, o que confere ao e-mail toda a aparência de legitimidade — inclusive para ferramentas de segurança que dependem de autenticação de origem.

PDF limpo como vetor: como o encadeamento .gov.br funciona

A mensagem chegava com o assunto Encaminhamento - 1 Vara Criminal – TJ Estado do Tocantins e remetente contato@tjto.jus.br. O anexo era um PDF sem JavaScript e sem comportamento que antivírus tradicionais reconheceriam como ameaça. A única função do arquivo era induzir um clique.

O link dentro do PDF apontava para aquisicoes.seplag.mt.gov.br/signkit.jsp, um segundo endereço .gov.br comprometido, operando como redirecionador para o payload final. O encadeamento .gov.br → .gov.br é o padrão atual dos trojans bancários brasileiros: cada etapa parece legítima isoladamente, o que dificulta bloqueios baseados apenas em reputação de domínio.

Sinais que merecem atenção imediata

Mesmo quando o e-mail parece autêntico, alguns elementos devem acender o alerta:

  • Remetente vinculado a tjto.jus.br com conteúdo inesperado sobre intimação criminal.
  • Anexo PDF que não apresenta comportamento malicioso aparente, mas contém link para URL externa.
  • Presença do caminho signkit.jsp no corpo da mensagem ou dentro do PDF.
  • URLs no padrão *.gov.br/*.jsp fora do contexto operacional esperado.
  • Remetente específico observado na campanha: contato@tjto.jus.br.

Resposta cirúrgica: conteúdo, não domínio

Bloquear todo o domínio do TJTO não é a resposta certa — isso interromperia o recebimento de intimações legítimas. A medida mais eficaz é criar uma regra de conformidade de conteúdo no Google Workspace ou no Microsoft 365 para quarentenar mensagens que combinem dois critérios: remetente tjto.jus.br e corpo ou anexo contendo signkit.jsp.

Além da regra preventiva, é necessário fazer busca retroativa nos logs de e-mail e navegação. Procure cliques em URLs no padrão *.gov.br/*.jsp. Se houver clique confirmado, execute troca de senha, revogação de sessões ativas e análise do endpoint por EDR. O incidente deve ser reportado ao CERT.br e à equipe de TI do TJTO para contenção na origem.

Checklist de resposta ao incidente

  1. Criar regra no Google Workspace ou Microsoft 365 para quarentenar e-mails de tjto.jus.br que contenham signkit.jsp no corpo ou anexo.
  2. Vasculhar logs por acessos a aquisicoes.seplag.mt.gov.br/signkit.jsp e a URLs *.gov.br/*.jsp.
  3. Se houve clique: redefinir senhas, revogar sessões ativas e analisar o endpoint com EDR.
  4. Monitorar os IOCs: SHA-256 do PDF c5ebb398...6a6a36, IP 177.0.107.28 e remetente contato@tjto.jus.br.
  5. Reportar o caso ao CERT.br e à TI do TJTO para apoiar a contenção na origem.

Perguntas frequentes

Se o e-mail passou em SPF e DMARC, ele é seguro?

Não. SPF e DMARC validam a origem técnica da mensagem, não a intenção de quem a enviou. Neste caso, o servidor era real e havia sido comprometido — a autenticação passou porque o abuso aconteceu de dentro da infraestrutura legítima do TJTO.

Devo bloquear todos os e-mails do TJTO?

Não é a ação indicada. Bloquear o domínio inteiro interrompe intimações e comunicações legítimas. A abordagem correta é filtrar por conteúdo, combinando o domínio do remetente com a presença de signkit.jsp na mensagem ou no anexo.

Por que um PDF sem código malicioso ainda representa risco?

Porque o PDF não precisa executar nada — ele só precisa convencer a vítima a clicar. Mesmo sem JavaScript, o arquivo pode conter uma URI que direciona para a etapa seguinte do ataque. Antivírus tradicionais não bloqueiam o que não conseguem classificar como malicioso.

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Fontes:

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